quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mamãe, eu quero mamar.


“Mamãe, eu quero mamar.”



Quase sempre as reuniões sociais são acompanhadas de lanches, almoços, jantares, festas. Hoje, em qualquer curso, encontro, há a “parada para o café”, o famoso Coffee Break. Onde há gente, há comida. Às vezes, muita. Outras, nem tanto. Até em velórios podem ser encontrados chás, cafés, biscoitos.

O fato é que comer está ligado à nossa vida de uma forma intrínseca. Come-se para saciar-se. Come-se para festejar. Come-se para alimentar-se - pode parecer redundante, mas há gente que come por comer; apenas para satisfazer sua propensão, sua obsessão mesmo por ter o prazer de comer e comer muito. Aí, mora um grande perigo de que falaremos abaixo.

Logo que a criança nasce, de um modo geral, ela tem o seio da mãe. Essa relação tende a ser íntima, significativa, intensa. O perfeito retrato do bem-estar, da serenidade e do afeto. Esse momento registra significados psicológicos que estão além do ato de alimentar. Sugar está ligado a imaginar. Comer, então, se torna troca, comunicação. O ato de nutrir se transforma em relação mãe-filho. Ao amamentar, a mãe doa a criança algo mais que seu próprio leite. Ela transfere segurança e possibilita, ao pequeno, desenvolvimento e estruturação de sua personalidade porque o mundo entra pela boca do bebê, assim como a presença ou a falta de afeto é percebida já nesse momento.

Ao mamar, a criança introjeta, além do alimento, os sons do ambiente; a segurança ou a insegurança da mãe; o afeto oferecido ou negado. Desenvolve também o poder de concentração, especialmente se a mãe é atenciosa e separa aquele momento de amamentar apenas para ter o contato especial entre ela e o filhote, com troca de olhares, toque, afeto, amor. Esse momento terminará por definir a estruturação psíquica da criança. Comer é sentir prazer. Não à toa a criança pára de chorar quando mama.


Os hábitos alimentares são aprendidos em casa, logo nos primeiros dias de vida. Os sabores consumidos pela mãe são facilmente apreendidos pelas crianças que comumente, ao crescerem mais um pouco, vão aceitar outros tipos de alimento. Ou seja: a criança certamente comerá o que a mãe comia no período da amamentação. Quanto mais rica for a dieta alimentar da mamãe, maior será a facilidade de levar seu filho a comer devidamente. Isso é importante nesses tempos em que os alimentos industrializados, os biscoitos empobrecidos em nutrientes e os refrigerantes, dentre outros, estão tão na moda.

O outro ponto está ligado ao que se come em casa. Mães e pais que reclamam de seus filhos não desejarem comer frutas ou verduras, ou alimentos de rica nutrição, quase sempre também não são adeptos a comerem esses mesmos alimentos. É o famoso “faça e que mando mas não faça o que eu faço”. O pequeno aprende a comer o que vê o adulto comendo.

Se você quer que seu filho coma tomate, apenas você mesmo coma tomate. Ele vai ver, vai aprender a desejar e logo estará comendo, sem ninguém precisar insistir. Alimentar-se é uma experiência cultural e social. Aprendo a comer vendo o outro, especialmente se este outro é quem amo, comendo. Mães, pais, cuidadores possuem a capacidade de orientar a escolha alimentar feita pelos filhos. Além disso, é importante ter os pequenos à mesa, enquanto comemos. Eles aprenderão.

Quanto à obsessão por comida, acima mencionada, é outro caso que preocupa a estudiosos, médicos, à família e ao próprio envolvido no assunto. Isso porque ninguém quer saber de ser gordo. Ser obsessivo por comida acarreta tristeza, infelicidade, culpa, baixa auto-estima e arrependimento. A pessoa sabe que sua relação com comida não é saudável e paga sérias conseqüências por isso.

Comer bem e na quantidade ideal revela uma maneira amadurecida psiquicamente de relacionar-se com a comida e, além disso, consigo mesmo. Isso porque comer é expressão da boa relação com o seu próprio corpo e com os outros. Se comer é a primeira interação da pessoa com o mundo, qualquer relação anormal ou obsessiva com essa interação pode revelar séria ausência de afeto, de carinho. Esse fator pode desencadear sérias consequências para a saúde emocional da pessoa.

Na boa relação com a comida, a gente revela traços de estabilidade emocional, de amor próprio, de auto-conhecimento. É nessa interação que o obsessivo busca preencher o ‘buraco-negro’, a lacuna existencial, o prazer não encontrado, negado, reprimido. A ausência, a perda, o sentimento de desprazer. Eu como para diminuir meu desprazer, tenho uma compensação imediata. Depois, com o estômago inflado e estufado eu me arrependo de ter comido tanto. Ou seja: o prazer foi profundamente efêmero, passageiro. “Eu preciso de ajuda”.

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2 Comentários:

Blogger James disse...

Olá Ieda,

Estou com um esboço de uma palestra sobre Inteligência Emocional no Trabalho que me foi concedido por Alex. Trabalho na Cooperje com um grupo de 50 catadores e a mesma seria de grande importância para andamento e motivação das nossas atividades.
Ficarei muito grato se receber um retorno seu.
Deixo aqui o email da cooperativa com meu tel.
email: reciclajequie@yahoo.com
Tel: 73 8822 4263

Att,
James Rocha
Técnico Administrativo

13 de julho de 2010 15:11  
Blogger Ieda Sampaio disse...

Caro James;

Claro que seria um prazer para mim poder falar para vocês. Participei
do processo de capacitação da COOPERJE e tenho, sim, um vínculo
especial com cada um deles.

Por favor, mande-me seu telefone.

Vamos manter contato.

Abraço.

13 de julho de 2010 15:52  

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