quarta-feira, 5 de abril de 2006

Ponto de vista - o olhar sob um ponto.


Hoje eu passei a noite na casa de minha irmã Ivana.
Ela mora no mesmo bairro que eu: um lugar alto. Penso que moramos nos morros mais altos da cidade.
De lá, podemos ver quase toda Jequié.
Jequié é uma cidade que está numa zona de transição.
(Quiçá fosse assim também em sua política! Não vejo muitas perspectivas de mudança!)
Temos zonas de caatinga, mata de cipó.
Também há a zona da mata. Uma delícia de lugar.
Indo à Ilhéus, você passa por Jitaúna, Ipiaú... outras cidadezinhas. E percebe já a Mata Atlântica!
Já no bairro do Mandacaru, pode-se perceber os galhos retrucados, típicos das matas de cipó.
Estamos no sertão.
Poético, não é?
Neste cantinho de interior da Bahia.
Interior do Nordeste.
Faz calor, sim, nesta cidade.
Mas quando vem o inverno... Hungr! Faz frio. Sinceramente! Há pessoas que não acreditam.
É curioso o clima entre a caatinga e a mata.
Muito calor...
Quando faz frio, faz frio (repito!).
Estar na casa de minha irmã, como ia falando, significa poder refletir sobre os diferentes pontos de vista das pessoas.
Num mesmo bairro. Praticamente na mesma rua, nós duas moramos.
Eu olho, de minha casa, a Matriz, as praças, a Primeira Igreja Batista e a casa onde funcionava o antigo INPS. (Isso deve ser sigla de Instituto Nacional de Providência Social, não me lembro... Hoje temos o SUS!).
Vejo de lá o centro da cidade, o barulho dos carros.
Tudo parece bem diferente do que é na casa de Ivana.
Claro! Estamos em diferentes perspectivas: eu e minha irmã. Ou eu e eu. Quando estou em minha casa eu vejo a vida, a cidade de um jeito. Na casa de Ivana, as coisas tem outras formas. Percebo outros ângulos que antes não conseguia identificar.
Eu me lembro de um fato em Alice no País das Maravilhas. Lá há um gato que vive perseguindo um ratinho. A pergunta é: você gostaria de gatos se fosse um rato?
Ouvi um pensador - não me lembro quem - afirmar que o ponto de vista é sempre um olhar sob um ponto.
Meu ponto de vista será sempre reduzido. Limitado, portanto.
Talvez isso explique porque somos tão intolerantes com o outro. Por que somos tentados e pensar que somos melhores que o outro e alimentamos tanto tantos preconceitos. Os lingüísticos, os de raça, os de credo, os de posição econômica até.
Estar numa cidade pobre e sofrida me permite pensar assim: preciso lutar contra mim para poder compreender o outro como ele é e aceitá-lo.
As cactáceas de minha cidade de ensinam isso: ainda que a vida seja seca e difícil, posso produzir flores. Posso alimentar meu irmão e/ou ser simplesmente um referencial importante na abertura de sua visão.
Que minhas percepções, certezas e concepções não me tentem a me ver maior ou melhor que eu sou.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Ieda,

Moro em São Paulo, e daqui, também tenho só um ponto de vista, bem pequeninino, bem miúdo. Também tento (talvez em vão) o exercício da alteridade, da empatia. Tento não me deixar preso ao olhar unifocal - que é o único que posso formular, nesse plano - e sofro com isso.
Achei belíssimo o seu texto.
Se quiser trocar idéias,

alexsandrosantos1980@gmail.com

Abraços, do ponto de vista paulistano.

11 de maio de 2006 às 13:56  

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