terça-feira, 29 de agosto de 2006

Sucateamento das Universidades no Brasil

Fui, num desses sábados, numa formatura do curso de Bacharelado em Química aqui na UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

É sempre bom voltarmos à nossa casa. Ali, fiz dois bons cursos e fico emocionada quando passo por lá e revejo bons amigos, professores, Sr. Nelson (nosso pipoqueiro da portaria) dentre outras pessoas também muito queridas.

Aquela casa fez parte de um bom tempo de minha vida!

Eu e minha irmã fomos ao sanitário daquela instituição de ensino. E minha irmã ficou comentando: você viu que coisa feia? O sanitário está sujo, não tem papel...

E eu fiquei pensando: embora a construção daquele setor, que fica entre a biblioteca e o auditório principal, seja relativamente nova, há um contraste entre a beleza da edificação e a sujeira de algumas salas do seu interior. E fiquei ali tentando explicar à minha irmã que a universidade pública merece muito respeito e tem um lugar importante na sociedade. Importantíssimo!

Vejamos:

Na última Lei de Diretrizes e Bases da Educação do Brasil ficou definido que a organização acadêmica das Instituições de Ensino Superior passariam a ser classificadas em:

a) universidades

b) centros universitários;

c) faculdades integradas;

d) faculdades;

e) institutos superiores ou escolas superiores.

Destas cinco modalidades, apenas as universidades teriam legalmente a obrigação de trabalharem o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão. Isso significa que a Universidade – e somente ela - teria o fim de produzir conhecimento.

As outras modalidades podem se limitar ao Ensino. Ou seja: reproduzimos conhecimento como ‘papagaios’.

Tal e qual está nos livros. Da maneira que está nos teóricos legitimados pelo espaço acadêmico. Nossos pensadores próprios quase não teriam voz nem vez. Como é mesmo hoje em dia.

Por exemplo, Paulo Freire foi um de nossos maiores intelectuais e pouca gente no Brasil o conhece. É uma pena.

Excetuando-se os Centros Universitários que legalmente estão ligados ao ensino em excelência, as outras três modalidades, tão presentes em nossas esquinas hoje em dia, apenas ensinam. E impõem aos alunos medo, provas pesadas para que eles pensem que ali o ensino é bom. O senso comum trata deste jeito essa questão: muitos foram reprovados; então o professor “puxa” mesmo.

Com algumas respeitáveis exceções, a qualidade do ensino é questionável. Não há produção de conhecimento. Há pouca pesquisa. Há uma verdadeira indústria de diplomas em nosso Brasil, pondo no mercado de trabalho profissionais de qualidade teórica e prática duvidosas.

Simplificando: se os poderes multilaterais desejam que todos os países não desenvolvidos continuem sendo mão de obra barata e não especializada, a universidade no Brasil constitui um alto risco intelectual.

Os produtores de conhecimento estariam em vários espaços, formando opiniões e conscientizando a população sobre a falta de conhecimento que temos de nossa Constituição Federal, por exemplo.

Ou estariam falando abertamente sobre quem financia os nossos jornais e sobre quem realmente manda neste País, quem ideologicamente orienta nosso pensamento (se é que pensamos por nós mesmos).

Além disso, nossos intelectuais poderiam produzir um tão importante e grande conhecimento (e também disseminar este pensamento por todo o País conduzindo novos pensadores e criadores) que seríamos concorrentes em condição de igualdade em relação aos países de primeiro mundo – as grandes potências.

O raciocínio é simples. Diria simplista até. Porém clareia um pouco a questão do sucateamento das nossas universidades públicas que sobrevivem ainda assim com professores de altíssimo nível acadêmico.

Minha irmã não pôde falar mais nada contra a universidade pública depois de meus quarenta minutos de discurso. Rs.

Eu não posso deixar a imagem de minha casa deturpada por ninguém.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Concorrentes entre (contra) si

Parece-me que está tão intrinsecamente decidida essa questão de competitividade e a compreensão de que o outro é meu inimigo e concorrente que tenho vivenciado sempre coisas dignas de nota, ao meu ver.

Uma delas é minha antiga colega de natação. Eu tinha meus vinte e poucos anos e ela já era uma respeitável senhora. Em todas as atividades, em todos os exercícios comandados pelo nosso professor, aquela senhora de cabelos embranquecidos partia adiante, como se estivéssemos em verdadeiras olimpíadas. Eu ficava rindo dela quando a mesma se gabava verbalmente de ter passado à minha frente.

Ora! Eu estava apenas realizando uma atividade física prazerosa! Não estava competindo com ninguém.

Outro dia, no transito, um também respeitável Senhor com aparência sexagenária me deu uma cortada e brincou de "pega" comigo. Detalhe: eu não estava inscrita na brincadeira e quase participamos de um sério acidente, envolvendo mais outros dois carros. Metros além ele parou o carro, tranqüilamente o estacionou na porta de sua casa e ficou na porta, rindo.

Eu não queria brincar daquilo. Muito menos perceber claramente que nossa vã filosofia nos permite pensar que a vida é uma grande competição e todos concorrem entre (e contra!) si.

Sem contar os chefes que confundem liderança com autoritarismo. Chefia, com superioridade. Serviço, com servidão. Injustiça, com desordem. Desses, não falarei.

A grande guerra da humanidade é por PODER. Foucault está certo.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Bebidas Gaseificadas e fermentadas...


Eu não vou comentar sobre o mal que as bebidas gaseificadas e fermentadas (principalmente as pretinhas - de quem não devemos mencionar o nome) nos fazem.

Nem gosto de pensar que uma coisa tão saborosa possa desentupir pias, limpar tanque de gasolina ou coisas assim: Joe me mataria se eu “blogasse” contra a "bebida dos deuses”, sua necessidade diária. Rs.


Outro dia recebi, lá no trabalho, a visita de um empresário que industrializa a saudosa Tubaína.


Você se lembra disso? Hum... Que delícia!


Bebíamos Tubaína quando nossos pais não tinham dinheiro (e agora têm?) para comprarem as outras bebidas dominicais.


Tubaína era a bebida das festinhas, das comemorações. Dos encontros familiares quando não podíamos comprar outras marcas.

O empresário me convidou a pensar que só se vende Tubaína hoje em dia nos barzinhos periféricos da cidade e que ninguém a solicita porque isso apontaria pouco status social. Ou seja: seria uma “humilhação”. Até mesmo as outras bebidas alternativas – além das que aparecem na grande mídia – são rejeitadas pela maioria das pessoas.

Babau do Pandeiro, em sua música “Cassaco Com A Coca-Cola No Saco” , prenuncia, num modo particularmente cearense, como bom nordestino que é, esse fato: beber o líquido famoso promove nas pessoas um certo ar de ascensão social, uma falsa sensação de poder.

Veja a letra:

“Vocês tão vendo aquele Cassaco com a Coca-Cola no Saco?
Ele em pé parecido um macaco
Eu quero tomar muita Coca-Cola nesse carnaval
E Vou dançar dentro do municipal.”

E fiquei refletindo sobre isso o resto do dia.

Imagine!

Adultos não conseguem resistir às imposições da grande mídia. Considerem crianças e adolescentes... Quanta força e maturidade teriam de possuir para afirmarem suas preferências pessoais, se elas não estiverem de acordo com a força dominante!

Ouvi o manifesto da imprensa outro dia num dos nossos horários nobres onde eles (profissionais da informação) cobravam dos poderes públicos maiores e mais eficazes ações contra a violência. Gosto da leitura feita pelo Observatório da Imprensa sobre o assunto.

Eu penso que se a televisão cumprisse sua obrigação de educar para o bem e pela não-violência, as coisas, em nosso País, estariam andando por outro caminho.

Em Entre a Ciência e a Sapiência o professor Rubem Alves pontua isso quando encaminha cartas ao dono da maior emissora de TV do País e, infelizmente, nunca contou com uma resposta nem por escrito, muito menos por ações do mesmo.

Nossa economia, nossa educação, nosso povo vive mal. Eu ainda compreendo que poderíamos fazer algo para mudar este estado de coisas com pequenas ações de conscientização e atuações genuinamente populares a fim de assumirmos nossa própria identidade, conquistarmos um espaço melhor de qualidade de vida, longe do apelo consumista que tanto nos assola.

Eu quero provar de novo a Tubaína! E não quero ter de me envergonhar por isso.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Projetos Sociais - Catadores e Lavadeiras.

Há um ano e meio estive envolvida voluntariamente num projeto de uma ONG - Organização Não Governamental - PANGEA. Com apoio da Prefeitura Municipal de Jequié, do Governo Federal e da Petrobrás, trabalhamos com a capacitação de catadores de material reciclável.

A turma do Pangea - uma administradora de cooperativas, uma assistente social e um psicólogo social - trabalhou desde o início cadastrando nomes dos catadores desta cidade. Tiveram um enorme trabalho de integrá-los aos programas sociais, inclusive para providenciar documentos como registro de nascimento e carteira de identidade que a maioria não possuía.

O objetivo maior era unificar as duas cooperativas que existiam aqui. Essas organizações eram enfraquecidas por estarem desunidas e, além disso, sofriam a ação dos famosos "atravessadores", que compravam de suas mãos todo o material reciclável recolhido por um precinho muito menor do que o valor que as indústrias costumam oferecer.

Uma das grandes batalhas foi capacitar os catadores a gerirem seu próprio negócio e organizarem sua própria cooperativa que, fortalecida pela união das duas cooperativas anteriores e pela força do trabalho conjunto, além do apoio das entidades acima mencionadas, iriam adiante com a autonomia necessária para serem mais tarde uma empresa respeitável no seu campo de atuação.

Eu entrei nesta fase de capacitação e foi um trabalho sobremaneira importante para minha vida acadêmica e para ampliar minha visão acerca da educação popular.

Eu tenho muito para falar sobre este trabalho com os catadores, mas deixarei para outro momento.

Hoje eu ganhei o dia!

Ane - minha colega-amiga - como sempre, Ane! Falou um pouco no msg comigo e convidou-me a participar, lá em Ipiaú - Ba, num projeto de resgate de identidades com as lavadeiras de roupa do Rio das Contas.

Foi rápido o nosso contato, mas ela me falou algo sobre resgate das cantigas das lavadeiras naquela região, identidade, lugar e não-lugar. Gosto muito das questões de gênero. Mas não contava em poder trabalhar com tanta coisa boa ao mesmo tempo: mulheres, música genuinamente popular, educação, projeto social... Resgate de identidade! Hum... Que delícia!

Quer saber? Imediatamente eu disse: sim!

Quero muito poder trabalhar com aquelas mulheres e já comecei a estudar.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Graça


Que a experiência da Graça
Seja a marca mais visível
Em toda a minha existência.
Para o meu bem.
Para o bem de todos que estão ao meu redor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

La traducción: Mi nombre: mi identidad, mi historia.

Atendendo a pedidos, estou traduzindo o texto: Mi nombre: mi identidad, mi historia.

Meu Nome: minha identidade, minha história


Estou certa de que meu nome
Desenha outros nomes
Que estão ao meu redor.

O nome de meu pai
Conta-me uma história
Própria de sua família - que é também a minha família.

O de minha mãe
Fala de vidas
Que foram, algum dia
De alguma maneira
Importantes para o que sou agora
Também para o que vou ser.

Se meu nome é dito em algum encontro
Sei que estão falando de algo
Muito maior que eu.

Estão falando de raízes.
De árvores enraizadas
Há muito tempo.

Estão falando de mim.
De minha vida
De minha história.

Isso quer dizer:
Minha identidade.

Há algo em meu nome de que não gosto
Mas não posso esquecê-lo
Pois é tudo o que tenho.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Pertencimento.

Assisti neste último domingo ao filme "Diários de Motocicleta" que aborda a vida de Che Guevara enquanto percorria quase toda a América do Sul junto com seu amigo. Os dois numa motocicleta apelidada de "a poderosa" embora estivesse, desde o início da viagem, em precário estado de conservação.

É coisa da alma jovem o desafio de conhecer, a aventura da vida. Comum. Entretanto, no caso dois, penso que a aventura foi extremamente exagerada. Embora necessária e produtiva.

Enquanto percorriam os belos lugares daquela região, foram percebendo que havia pessoas - e muitas eram elas - que sofriam as injustiças sociais de seu tempo.

Essa impressão foi tão forte para os aventureiros viajantes que modificou o jeito de pensar e agir daqueles que haviam saído da Argentina e influenciou toda uma geração a ponto de ficarem plantadas sementes importantes de profundidade epistemológica acerca da nossa velha América.

Confesso que eu e Joe fomos levados a assistir ao filme acima mencionado devido à música "Al Otro Lado del Río" - de Jorge Drexler, que ganhou neste ano o Oscar de melhor canção. Uma delícia. Pensamos inicialmente que íamos ver as lutas e estratégias utilizadas pelo Che à busca da libertação da América do Sul, mas vimos apenas o início de sua trajetória e a nascente de suas percepções sobre as injustiças existentes naquele período. Valeu a pena ver o filme e voltar a ouvir a música - meu presente do dia dos namorados (obrigada, Joe, mais uma vez!).

Quero pontuar um dos momentos - para mim - mais admiráveis do filme: uma criança de mais ou menos 10 anos de idade apresenta ao Che Guevara a 'Cidade Perdida' de Machu Picchu, no Peru.

O menino mostrava uma parede daquelas de Machu Picchu. Uma obra de arte!. Aquilo havia sido feito, como toda a cidade, pedra sobre pedra; sem utilização de cola ou cimento. E aquele menino, com grande orgulho da construção Inca, mostrava ao Che logo adiante - um metro talvez - uma parte que havia sido destruída pelos Espanhóis. Na tentativa de reconstruir eles - os espanhóis - nem chegaram perto da magnitude da sabedoria dos Incas e acabaram fazendo de qualquer jeito, um amontoado de pedras sem graça, sem arte. Sem qualquer riqueza de estilo.

O que me chamou a atenção é que o menino, embora fosse apenas uma criança, banalizava o serviço mal feito dos espanhóis. É como se ele possuísse um sentimento tão intenso de pertencimento, além de valorizar tanto sua própria cultura, que desprezava a presença do outro - que era o invasor. Aquele menino me fez refletir muito durante o fime e ainda depois dele.

Machu Picchu é patrimônio Cultural da Humanidade. Depois da invasão espanhola, a floresta tomou o cuidado de abraçar as ruínas da cidade e escondê-la (protegê-la) para os próximos séculos.

O mundo sabe das riquezas das Américas e da profunda cultura que ficou e é escondida de muitas formas por aqui. Nossos livros acadêmicos falam muito mais da história européia do que de nossa própria história. Nem sabemos, por exemplo, porque a bandeira de Jequié, aqui da Bahia, possui oito estrelas.

Mal sabemos o que produzimos. Pouquíssimo conhecemos nossa cultura e ainda afirmamos que somos culturalmente pobres. É como se não tivéssemos em que contribuir intelectualmente para a cosntrução de nosso próprio futuro. Assim, o mais fácil é aceitar mesmo as imposições norte americanas e européias, assim como estamos convictos de que para ser bonita, a mulher brasileira precisa possuir cabelos lisos e cumpridos e ser magérrima.

Os jovens da Rússia usam bonés ao invés das antigas boinas que lhes aqueciam o intenso frio.

Estou, neste momento, de calças Jeans. E o calor lá fora...

Temos vergonha de falar espanhol. Estudar esse idioma? Nunca! "É engraçado e parece a turma do Casseta falando errado. " - Foi o que ouvi outro dia de um amigo dito culto, inteligente.

Meu sotaque tem sido constantemente trocado intensionamente por um jeito de falar globalizado. Vindo de cima para baixo, tão autoritariamente imposto, maior que eu.

Nossas verdades são relativizadas todos os dias. Não temos voz. Não temos vez.

Quando Roma invadiu a Grécia, os romanos foram enfeitiçados pela cultura grega.

A Babilônia pedia aos hebreus que fossem cantados os hinos de Sião.

O dominador, historicamente está provado - pode ser dominado se eu tenho enraizado profunda e fortemente o sentimento de pertencimento; se conheço e tenho orgulho de minhas raízes, de minha própria história.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Mi nombre: mi identidad, mi historia.


Estoy cierta de que mi nombre
Dibuja otros nombres
Cerca de mí.

El nombre de mi padre
Cuéntame una historia
Propia de su familia - que es la mía también!

El de mi madre
Habla de vidas
Que fueron algún día
De alguna manera
Importantes para lo que soy ahora
También para lo que voy a ser.

Si mi nombre es dicho en algún encuentro
Sé que están hablando de algo
Mucho mayor que yo.

Están hablando de raíces
De árboles enraizadas
Hay mucho tiempo.

Están hablando de mí.
De mi vida.
De mi historia.

Eso es decir:
Mi identidad.
Algo en ella no mi gusta
Pero no me puedo olvidarla:
Es todo lo que tengo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

O que eu queria eu queria era de qualquer maneira...

Tudo o que se queria
Era estar bem pertinho
Um do outro.

Mas a gente se desencontra
E, como criança pequena
Que não sabe dizer onde está doendo
Nem o que lhe faz sofrer,
Faz birra
E fica de mal.

E tudo o que se queria
Se tornou uma noite
De lua fria e solitária.

Tão efêmera... Tão pequenininha...


Nossa existência, em relação à eternidade, é um grão apenas.


Mais que isso, é um vapor, uma fumaça que se esvai.

E ainda ficamos ligados às pequenas questões, às efêmeras intrigas, às brigas pelo poder como se fôssemos crianças mal criadas que insistem em comer doces antes do almoço.

Vê quanto a Terra é pequena?

Deste ponto de vista Júpter é imensamente maior.

"Não estamos preparados", esta é a frase mais forte do filme "Esfera".


Se estivermos então do ponto de vista do Sol, Júpter é muito pequenininho e a Terra... Dá pra ver?


Se nosso referencial for Anturus, no Universo, Júpter é do tamanho de cerca de um pixel: "um pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que o conjunto de milhares de pixels formam a imagem inteira." Daí a Terra nem pode ser vista. É muito pequenininha mesmo!









Sem contar com as estrelas.

Antares... Carina... Aldebarã... Tão pequeninas daqui, não é?
Infinitamente grandes do nosso ponto de vista. Meros mortais é o que somos!
Não dá para não falar do Criador...





Não dá pra ficar presa em meu mundinho sendo afetada pelos males de meu tempo histórico tão finito, tão pequeno, quase banal.

Plutão agora nem é mais considerado planeta...

"Tudo muda o tempo todo no mundo".

Não somos nada. Nada temos.

Nada sabemos. Não somos ninguém.

Não temos razões. Não temos poder.

Nossa visão é míope.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Uma Mulher. Uma candidata.

Muito provavelmente não vença as eleições deste ano, mas deu um show de conhecimento e calou a boca dos jornalistas do jornal da noite, calou.
A candidata não é muito comedida e usa uns predicados meio pesadinhos para a santa moralidade brasileira. Mas a mulher é boa de briga e é mulher. Ao mesmo tempo. Forte e firme e delicada.
Fiquei apaixonada e com medo dela ao mesmo tempo. Rs. Assim como tenho medo da inteligência de meu namorado. Rs.
Você sente que a reportagem tentou comprometê-la o tempo inteiro com perguntas direcionadas e capciosas. Ela falou com autoridade sobre os problemas em geral do País.
No ponto sobre o socialismo as perguntas da entrevista foram claramente contra o socialismo e defensoras desse modelo político-ecômico famigerado neoliberal que temos neste País e que foi tão meticulosamente forjado pelos Fernandos (como diria papai - inclusive o Beira-Mar) que nos governaram há anos e delinearam esses caminhos tristes e injustos socialmente em que andamos hoje no Brasil.
Em particular, o diretor daquele jornal ("do quem o nome não podemos falar" - Como no filme "A Vila".) perguntou à Senadora candidata à Presidência da República sobre qual País do mundo podíamos nos mirar ou ter como modelo. Numa clara tentativa de apontar os sérios erros dos países que tentaram - com autoritarismo - modificar sistemas políticos. E Heloísa, tão amavelmente e com a autoridade que lhe é peculiar, afirma: não podemos deixar de admitir que não houve na história desse planeta um socialismo pleno, devidamente aplicado. E nossa Constituição não deverá ser atropelada.
Eu gostaria que o Brasil tivesse maior oportunidade de ouvir tudo o que ela teria a dizer. Pena que ficamos apenas nos onze minutos e meio. ah!
Palmas para ela!!
Mulher é mulher e acabou. E quando se descobre... Vixe!!!
Cruz credo. Rs.
Obs.: Eu ainda voto em Lula. De novo!

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Nova cara pra nosso blog.

Como presente de aniversário mensal de namoro, Joe, meu namoradíssimo, veio, me deu um abraço gostoso e acolhedor, um beijo, me fez sorrir muito - como sempre! Depois deu nova cara e forma ao meu blog.
Eu a-m-e-i!
E vocês?
A propósito, gosto muito quando alguém posta algum comentário aqui. Só sinto falta de olhares críticos porque a gente não cresce muito com elogios.
Então, falem!!! Falem mal! Falem o que quiserem de minhas idéias! Eu quero crescer. Rs.
Obrigada, leitores, pela paciência de lerem meus desabafos, pensamentos e idéias.
Obrigada, Joe, pela "oportunidade". Rs. (Amo você!).

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Novas cores, novos sabores.




Tem gente que diz que só escrevo numa linha. A mesma de sempre. Rs. Ou em duas: falo de meu coração e das tristezas e injustiças sociais do mundo. Dois horizontes que se encontram e se recusam, se expelem todos os dias. Parece o que Adorno - filósofo frankfurtiano - fala sobre a Educação: molda e emancipa.

Quero falar com isso que o mundo que tenta me construir e formar meu jeito de ser, pensar e agir é o mesmo que me impulsiona para cima e me força a não querê-lo. A desprezá-lo e a buscar alternativas. Ainda que de forma intimista. Ainda que só para mim e para meus dois leitores. Eu diria: fulga no mundo das idéias como o de Platão.

Então hoje eu vou mudar e falar um pouco às minhas amigas. Talvez também aos meus amigos. Àqueles que ainda pensam que estão “sozinhos”.

Novas cores, novos sabores... vamos lá!

Eu penso que estar sozinho é um estado. Uma categoria de pensamento, talvez. Eu posso estar acompanhada de milhares de pessoas e continuar sozinha. Posso estar ao lado da pessoa mais legal do mundo e me sentir só. Ou estar propriamente casada e ainda estar assim estar sozinha.

Por que falo isso?

Entendo que antes de estar acompanhada por alguém eu preciso ser eu mesma a minha companhia. Eu necessito gostar do que gosto, ter minhas próprias preferências. Ter minha própria vida e minha própria idéia e sentido para a mesma. Delinear o meu caminho. Buscar minhas realizações, verificar e rever sempre meus anseios, minhas metas. Ver onde mesmo que quero chegar ainda que o fim, o ápice do caminho, me pareça tão distante e difícil de alcançar.

Preciso gostar de mim mesma. Achar interessante a dita “nova ruga” (acho engraçado as pessoas afirmarem que elas aparecem de repente e são vistas numa manhã em que você não está nada bem. Rs.). Entender que minha idade vai passando e ao contrário do que a cultura da eterna juventude quer me impor como única verdade, eu fico mais experiente, mais alegre, mais confiante.


Imagine se uma adolescente maravilhosa de dezoito anos de idade e lindíssima pode me combater além do item beleza e juventude!! E a minha própria juventude? E o meu sorriso? E minha maturidade e alegria? Minha visão razoável da vida? E meu olhar que o tempo se encarregou de ampliar? Ah, gente! Tem tanta coisa mais importante que a tenra idade...


Caio Fábio de Araújo Filho – meu conselheiro literário – afirma em “A Mulher no Projeto do Reino de Deus” que não conhece um grande empresário bem sucedido sequer que não necessite de um colinho de mulher para acalentar-lhe o cansaço, as dores, algum sofrimento diário. Estou falando com isso que homem precisa, sim de colo, de carinho, de cuidado. (Mulher também, ouviu?!). Todavia isso não deve ser em demasia para não ser fácil e barateado. Eu já falei em outro espaço aqui que o belo é belo por sua efemeridade. Freud fala algo parecido com isso. Tudo em demasia é sobra, já diz o senso comum.

Não me considerem machista. Falo como mulher. Se fosse homem eu falaria como homem.

Penso em quanto é importante para um homem poder contar com alguém que lhe pergunte como teria sido o seu dia e atentamente ouça o que ele tem a dizer. Em especial se ele se mostra zangado ou trancado em seu mundinho. Se ele também não quiser responder, que o assunto seja mudado ou que se separem um tempinho. Que a mulher tenha tolerância e paciência para ouvir. Que possa compreender que ele não quer mesmo falar. E que talvez a zanga não seja com ela. Por mais difícil que seja compreender isso.

Ane, uma preciosa amiga que tenho, me diz que precisamos de um curso de “escutatória”. Falar é tão fácil! Ouvir...

Machismo à parte, compreendo que o homem necessite se perceber como o rei da selva, o conquistador, o dono da situação. Ele sabe que ao final, quem decide mesmo são as mulheres, porém se é disso que precisam, que nós mulheres possamos abrir para eles a liderança. Que haja diálogo, não arrogância ou orgulho. Nem de uma parte nem da outra.

A compreensão de que ‘Homens São de Marte, Mulheres de Vênus” do PHd John Gray também fornece uma razoável dica do quanto somos diferentes dos homens. Logo, meu comportamento e minha compreensão acerca do comportamento do meu parceiro deve tangenciar um tão imenso respeito às nossas diferenças culturais a ponto me levar a ser uma ótima companheira para ele. Teoricamente isso é simples. Viver as diferenças... hum.... Uma delícia que vai sendo rejeitada com a vivência, com o cotidiano. Penso que por isso os casais se desencontram tanto e chegam a se descomprometerem da linda promessa de que se amariam por toda a vida.

Parece que alguns homens não sabem. As mulheres se esquecem: há leituras que são feitas a partir de apenas um olhar. Uma atitude. Uma frase. Um comportamento. Um beijo. Um abraço caloroso. E nem sempre o que eu digo é condizente com o que faço. E nem sempre o que faço é interpretado com a devida leitura. As concepções podem – e invariavelmente o são! – ser lidas de diversas maneiras. Talvez estejam aí os motivos dos desencontros.

Tem gente que é dura mesmo. De diálogo frio. Comedida. Inquebrável. Arrogante. Cristalizada em seus próprios motivos. Obcecada por suas razões. De míope visão. Portadora de dores construídas a partir da alma. Bela por fora. Cheia de maquiagem e trancada em seu quarto interior escuro e sujo. Não abre janelas, não deixa o sol entrar. Homens e mulheres que podem ser desconstruídos em sua rigidez pela força do amor. O amor segundo Paulo, o apóstolo, que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.” Uma força infindável que pode ser vivida dia a dia, construído como quem percebe a existência igual a Soave que diz: “Corpos enamorados, almas ressuscitadas.” Amo essa frase. Ela traz alegria e esperança.

Em “As Deusas e a Mulher”, Jean Shinoda Bolen faz considerações acerca dos padrões femininos. Indica em algumas deusas gregas personificações ou retratos típicos da mulher. Ela compara às categorias comportamentais de algumas deusas a personalidade da mulher e conclui que há mulheres de todos os tipos: mães, filhas, amantes, sensuais. E seja qual for a mais forte característica de uma mulher será justamente o que vai retocar ou definir seu modo de viver e de se comportar frente ao seu parceiro e em outras situações existenciais. Se o forte dela é ser filha, a sua tendência é tratar o parceiro como pai. Se é Deméter, ela será a eterna mãezona que manda aqui e ali. Minerva, a da sabedoria, Artemes, Perséfone e outras. Só lendo o livro mesmo. Fica a indicação. E a observação: penso que a maioria dos homens espera não uma mãe nem uma filha para ser sua companheira de caminhada. Pessoas necessitam de cuidados especiais em momentos especiais. Ou seja: bom senso é necessário. Equilíbrio. Boa dosagem. Pessoas sabem disso. Sabem como fazer isso. Mulheres, mui especialmente.

Arrumar sua casa interior requer uma infinidade de detalhes. E ninguém é perfeito. Independente do tipo de personalidade que a mulher e que o homem tenha, ninguém merece conviver com alguém que esteja o tempo inteiro infeliz e resmungando. Sorrir faz bem e “aformoseia o rosto” – dizem as Sagradas Escrituras. Quem poderia viver com alguém que precise de dengo e chamego o tempo inteiro? Isso é insuportável! Crianças são crianças. Adultos precisam de alimento sólido.

Que haja desencontros. Que existam desentendimentos. Isso é da vida. É natural. Acima de tudo, que haja amor. Muito amor entre os casais. Que os primeiros olhares e as primeiras palavras sejam lembrados e a riqueza imaterial existente entre os dois seja levada em conta nas piores crises. E que isso seja relembrado. Sempre. Que haja o colo necessário. O chamego e o dengo bem dosado. A cobrança que faz o outro se sentir importante mas que o não sufoque. Que haja muito carinho, mas que isso não seja artifício para receber o dobro do que foi dado. Que seja de graça. Que haja graça!

Faz um bem...
Ah! Ia-me esquecendo... tenho uma fala de Mário Quintana:

O Tempo

Com o tempo, você vai percebendo que,
para ser feliz com uma outra pessoa
você precisa, em primeiro lugar,
não precisar dela.
Percebe, também, que
aquela pessoa que você ama
(ou acha que ama)
e que não quer nada com você,
definitivamente, não é o homem
(ou a mulher) da sua vida.
Você aprende a gostar de você,
a cuidar de você, principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
é cuidar do jardim
para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando...
mas quem estava procurando por você






sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Abaixo da linha da pobreza...


Confesso que estou assistindo a uma das novelas daqui do Brasil. Quando tenho tempo e estou plenamente disponível, sim.

Uma poesia... Coisas da própria vida.

Ao final, sempre algum testemunho ou leitura de vida feito por um protagonista da vida real.
Lá eles estão discutindo temas como racismo, maldade, dureza de coração, anorexia, desigualdade social, parece-me que vão falar também de portadores de necessidades especiais e outras coisas.

Outro dia eles conseguiram discutir sobre um lugar da África em que as pessoas vivem abaixo da linha de pobreza e foi mostrada uma favela um pouco diferente das do nosso país. Lá não se tem dinheiro para a famosa "batida da laje". As casas são feitas de pedaços de papel, ferro, sucata. Um lugar sem a menor infra-estrutura. Indigno para seres humanos.

Diga-se de passagem, a pobreza do Rio de Janeiro não é mostrada, não. Exceto em belas fotografias muito bem feitas apresentadas por um dos atores da referida novela.
Eu, como tenho mania de ressignificar tudo o que vejo, fico pensando assim:

1) A gente vive abaixo da linha da pobreza intelectual quando vê as coisas e se mantém no nível de informação sem aprofundamento, produto da deformação cultural e semiculturalização das quais fala tão bem o filósofo frankfurtiano Adorno.

2) A gente vive abaixo da linha da pobreza humana quando não se sensibiliza com as dores do outro e comete contra ele qualquer tipo de preconceito. Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, afirma que é intencional a frase: é negra, mas é bonita. Como se o fato de ser negra a impeça de ser bonita. O "mas" é advérbio de adversidade.

3) Abaixo da linha de pobreza quando não perdôo. Quando fecho as portas de minha espiritualidade. Quando me limito à minha própria visão ou quando nunca consigo dar um passo além de mim mesma. Quando me enclausuro em minha própria "existência mentirosa, longe, dura, seca", parafraseando o cantor e compositor Gerson Borges.

4) Quando me fecho para a estética, para as coisas belas e me permito gostar de músicas que depreciam mulheres.

5) Pobreza cultural também conta em minha míope visão.

Estar distante de minha humanidade, também.

É isso.