sexta-feira, 27 de julho de 2012

Papai x Mamãe


-“E como vai ser a partir de agora se minha mãe resolver ir morar em outra cidade?”
Foi com essa pergunta que ela chegou no consultório há três anos. O rosto vermelho de tanto chorar, uma menininha de doze anos muito triste ao saber que seus pais estavam se separando.
A confusão emocional estava montada e não era para menos: ela amava os pais mas já sabia de antemão que se um morasse numa casa e outro noutra seria sofrimento na certa. Sofrimento para ela: ela não estava acostumada a não poder curtir a segura presença do pai e a amorosa presença da mãe ao mesmo tempo.
A partir de agora, se quisesse, ia ser assim: dois dias da semana com um e o resto do tempo com o outro.
Mas a dor não parava por aí: tinha a insegurança, o medo de ver o pai com nova namorada, o medo da nova vida. Seria muito ruim estar sem os dois ao mesmo tempo. E se a mãe resolvesse também arranjar novo namorado?
-“Eu tinha percebido que há algum tempo eles estavam dormindo em camas separadas, mas achei que não fosse nada demais. Eles estavam prestes a se separar e eu não pude fazer nada para mudar essa situação. A única coisa que me resta agora é chorar. Chorar até eles entenderem que nós, filhos, estamos sofrendo demais da conta.” Esse foi um caminho de chantagem que ela maquinava contra os pais.

É sofrimento mesmo. Para todos. Para os dois que não encontram mais sentido em seguirem juntos; para os filhos que vão precisar de um bom tempo para assimilar melhor esse momento e se adequar à nova vida.

Mas se não tem jeito, se está decidido (e essa resolução é problema mesmo dos pais, num primeiro momento e nunca vem de uma hora para outra – é quase sempre coisa de longo tempo de desentendimento.), o que vou fazer?

Eu teria algumas dicas para pensar nesse momento. Talvez a ajude a elaborar algum pensamento sobre o assunto:
1. Viver essa realidade. Seguir com coragem como se isso fosse um cálice amargo que a gente tem que beber mesmo. Fere, dói, mas é um momento que posso usar para amadurecer minhas emoções, procurar lidar com as dores da vida da melhor maneira possível, para o bem de todos;
2. Aceitar que, se são adultos e decidiram pela separação, é por entenderem que isso é o melhor que escolheram para si mesmos. E se eu quero o bem de meus pais, devo buscar compreender que é melhor se separarem em paz do que viverem brigando e se machucando o resto da vida;
3. Com o passar do tempo as coisas vão se encaixando, vão acontecendo. Assim como a vida é flexível, os acontecimentos vão indo e vindo. Quem sabe como será amanhã? Não adianta sofrer por antecedência.
4. Valerá a pena viver um dia por vez. E ver, dia a dia, o que acontece, como o tempo vai passando. Nem tudo está perdido e ainda teremos alegrias e lutas para experimentar.

Coragem talvez seja uma palavra tônica, muito bem vinda, para momentos assim.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Portas abertas à consciência



Eu tinha um colega que contava a história de seu avô: um homem distinto, inteligente e cheio de sabedoria.
Mas na hora de dormir, todas as portas dos quartos tinham que ser fechadas. Se não fosse assim, ele, o avô não conseguia dormir.
Foi desse jeito durante longos anos até que em atendimento psicanalítico, o avô, por via da fala, descobriu o porquê desse costume que tanto deixava a todos incomodados. Todos sofreram longos anos até que ele compreendesse a razão de sua fobia e modificasse o pensamento, elaborando seus motivos, suas lembranças, seus medos.
Trazer à consciência aquilo que estava preso no inconsciente tende a proporcionar ao sofredor saúde mental. E a gente faz isso pela fala, através de análise.
Um medo, uma mania, um transtorno, um velho costume. Chupar dedo, levar um paninho para dormir... O vício de beber ou fumar. Usar drogas até consumir toda a vida. Certamente todas essas coisas tem uma razão escondidinha lá no inconsciente, pronta para ser tratada, como se limpa a sujeira de uma velha chaminé.
A Psicanálise é isso: análise da Psique, no sentido de esclarecer a verdadeira de meus supostos monstros, dando-me mais força, compreensão e clareza das minhas limitações para que eu seja um ser humano mais resolvido, pleno, ainda que em construção e evolução.
É a Psicanálise abrindo portas em nossas vidas.

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domingo, 27 de maio de 2012

Enfeitiçados pelo consumismo


Ela sempre foi linda demais. E eu ia pegá-la na escola, ainda em suas primeiras letras. Na porta da escola, um carrinho de pipoca pintado de azul. O vendedor ali, quietinho, vendendo vários saquinhos brancos cheios daquela coisa salgadinha e Sassá falava: “Tia, essa pipoca tem um cheiro bom, não é?” Bastava essa cantada dela para eu me render aos seus enormes cílios que se fechavam e abriam em seus olhos verdes sorridentes e brilhantes e dizer: “moço, me dê um saco desses!”. Pronto. Confesso que nunca resisti a um pedido, ainda que cantado e discreto daquela menina de olhos grandes. Nunca. Seu sorriso, a vida inteira, me convenceu de que eu precisava atender aos seus caprichos, pedidos, conversas, histórias.

Romantismos à parte, é mais ou menos desse jeito que os aparelhos ideológicos agem. Nos cantam, nos convencem de que precisamos adquirir e consumir o último lançamento daquele sorvete maravilhoso ou daquela nova margarina que derrete no milho e a família ‘está feliz’.

O dia está calmo, a paz reina nos lábios brancos e sorrisos perfeitos daqueles atores e sairemos amanhã cedinho a comprar o último lançamento daquela nova camiseta que está na moda, o último colar que aquela atriz usou ontem à noite na novela e o último lançamento de não sei mais o quê. Um novo ipod, um novo celular, uma nova TV.

Isso explicaria porque mulheres que só possuem dois pés (e é?) costumam ter ou querem comprar cem pares de sapatos. Mulheres ou centopéias?

Se por um lado há neuróticos anais que adoram guardar, retém desde suas próprias fezes no intestino) até aquelas velhas canetas (de várias marcas, é claro”), por outro há os que querem adquirir coisas porque sua autoestima não é lá tão boa e precisam se firmar socialmente exibindo roupas caras, por exemplo. Mas ainda há gente que simplesmente não consegue resistir aos apelos da mídia. E compram compulsivamente, e gastam e se desgastam.

Os propagandeiros não se cansam de dizer: ‘você não pode perder, você precisa comprar’. E nós os seguimos, como gados, sem qualquer reflexão, sem qualquer objeção, só obedecemos. Apenas atendemos ao clamor ao consumo. Vamos correndo ao mercado comprar aquilo que nem é uma necessidade minha. Aquilo que passou pelo meu desejo, estimulado por outra pessoa mais bonita, próspera, talvez mais inteligente que eu.

Eu penso que não sejamos suficientemente críticos. Agimos o tempo inteiro mais emocionalmente que racionalmente. É fato que nossas ações são muito mais inconscientes que conscientes (vejo isso todos os dias no consultório). E vamos sendo levados por todo tipo de vento, idéias, apelos. Eu não penso, não critico meu pensamento, não me pergunto: será que preciso mesmo disso ou daquilo?

Claro que esse é um tema bastante difícil. Passa pela minha emoção. Passa pelo desejo. E desejo é coisa da nossa subjetividade. Quase insondável. O que você deseja? E, parafraseando o Psicanalista Jorge Forber: “você quer o que deseja?” Quer mesmo? Porque se tenho algo em minhas mãos aquilo vai ter um custo. Todo ganho tem um custo. Todo. Exemplo: você passa no vestibular. Muito bom! Parabéns! O preço disso será perder umas horinhas de sono, se preocupar com a prova e o trabalho de amanhã. Além de muitas outras ocupações próprias de um curso superior. É bom? Claro que sim! Os ganhos também são muitos. E certamente valerá a pena.

O ponto principal que quero levar em conta é: desejo ou necessidade? Eu tenho consciência de que o que desejo é realmente algo de que necessito de fato ou é fruto de uma idéia, uma propaganda midiática, uma imposição do outro e não minha?

No consultório a gente encontra muita gente ansiosa por consumir. Consumir desde objetos, coisas, até pessoas. Usam pessoas como objetos seus. Esse paciente normalmente é acolhido, respeitado e, acima de tudo, escutado. Especialmente ele deverá se ouvir, se conhecer, se gostar até conseguir gostar genuinamente do outro. Num processo terapêutico lento, mas eficaz.

Há uma distância entre ser cidadão e consumidor. Há uma distância entre saúde emocional e aqueles desejos ansiosos que a gente carrega pela vida compulsivamente até se ‘realizar’ e consumir o próximo alvo. Numa roda viva que pode gerar muito mais angústia que prazer. Quem poderá entender o ser humano?

Querer não é errado e ter utopia nos leva adiante, como se estivéssemos caminhando na direção de nossa realização pessoal. O convite fica no sentido de pensarmos sobre nossos pensamentos, criticarmos nossos desejos para, com alguma consciência, se isso é possível, agirmos e sermos mais próximos de nossa própria humanidade. Tranquilos, saciados, felizes e seguros. Sabendo dizer “Não” quando se tem que dizer não e “Sim”, quando for o momento oportuno.

Quanto a mim, em relação àqueles olhos verdes, já está decidido: será sempre “Sim”.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ir e vir...


A mamãe lança um paninho sobre a cabeça do bebê, brincando e fingindo desaparecer e há silêncio. Quando ela retira o paninho recebe de presente aquele sorriso mais gratificante do mundo, aliviado pelo “retorno” da mãe.

Muitas mães e papais brincam desse jeito. Na consciência primitiva, ainda em desenvolvimento, da criança, ela compreende assim: se não vejo a mamãe, ela sumiu. mas quando ela retira o lenço de meu rosto significa que ela apareceu de novo e estou feliz por sua doce e cuidadosa presença.

Num só momento, numa simples brincadeira, a mãe está ensinando a criança um importante exercício de segurança: a mamãe ou o papai sempre voltarão; estarão por perto para cuidarem de mim. E o bebê, assim, é feliz.

Ir e vir é um direito fundamental garantido na Constituição brasileira. Claro que bebês não compreendem muito claramente o que essa coisa de direito significa, embora saibam que é muito importante a presença de pais amorosos, respeitadores e interessados em seu bem estar.

Quando saio e chego eu garanto ao meu filho que ele está seguro, bem cuidado e é amado. Ensino-lhe princípios de segurança e autoconfiança.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Bullying


Há pouco tempo a palavra bullying nem era conhecida. Agora virou tema importante na mídia, nas escolas, na família.

Engana-se quem pensa que se trata de algo novo. O termo agora vem à tona para tratar algo que já vem causando sérios prejuízos psíquicos há muito mais tempo do que se imagina.

Apelidos pejorativos, um comentário de mal gosto que pega, que faz sucesso na turma e daqui a pouco a criança ou o adolescente está completamente envergonhado, subestimado, ridicularizado e ferido. Sua autoestima prejudicada, talvez, pelo resto da vida.

Mas onde nasce, necessariamente o comportamento que gera a violência para com o coleguinha? Onde nasce o bullying? De onde vem essa forma desrespeitosa e prejudicial de tratar o outro?

Infelizmente, da própria família. É isso mesmo. Quando o pai se compara com o vizinho e se considera mais rico, mais forte ou mais bonito que o vizinho; quando a mãe critica todas as colegas de trabalho pontuando que se vestem mal... Quando o irmão mais velho aponta o amigo como feio ou cheio de defeitos... Esse tipo de comportamento gera na criança a idéia de que o outro não é lá tão importante ou não valha muita coisa.

Se na família a gente conseguisse gerar uma cultura de profundo respeito, de tolerância, de diálogo e de reverência aos outros – a todos os outros – a gente não tinha que sofrer com tantas vítimas envergonhadas, subestimadas, humilhadas e afetadas em sua autoestima.

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sábado, 7 de abril de 2012

Essência e Aparência


Vivemos numa época em que você vale mais pelo que tem do que pelo que você é. Isso significa que você poderá até ser uma pessoa má e perigosa, mas se tiver dinheiro e poder (ainda que só aparentemente), valerá muito. Um bom exemplo que temos é a famosa gang das loiras. Mulheres bonitas e muito bem vestidas enganando a todos, pois aparentemente eram gente de bem. Ou seja, elas não eram nem tinham. Elas pareciam ter.

De um modo geral há muita gente se esforçando muito para impressionar amigos e parentes com roupas de marca, com um carro importado, ainda que sua conta bancária esteja no vermelho e que seu orçamente familiar esteja comprometido.

Valores fundamentais como o amor, a gentileza, a tolerância, o respeito ao outro ficam relevados a segundo ou terceiro plano enquanto toda nossa energia se limita a parecer ser alguém poderoso, confiante e cheio de si.

Então se vive de aparências. E enquanto cuido do que é aparente a essência vai se esgotando e vou perdendo as forças, o ânimo, a alegria e até a vontade de viver pois num lapso de maturidade percebo que o melhor mesmo é ter os pés no chão, o corpo simplesmente protegido e os pés calçados.

Saúde na alma e no coração e aquela saudável vontade de viver o que realmente é importante, o que realmente interessa.

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terça-feira, 27 de março de 2012

Cala a boca, menino!


Há um livro que diz que a língua da gente é como uma fagulha pequenininha, mas seus efeitos podem incendiar uma floresta inteira. Parece que o texto quer dizer: fale menos!

Rubem Alves prenuncia que há cursos de oratória em todo lugar. De 'escutatória', não. E é disso que nós, profissionais, pais, professores, líderes de um modo geral precisamos.

É fato: temos apenas uma boca e dois ouvidos. Certamente a intenção do Criador era que ouvíssemos mais e falássemos um pouco menos.

A Internet está cheinha de gente querendo falar. Prova disso são os milhares e milhares de blogs que, já riem os entendidos, são lidos apenas por seus próprios escritores. Nossos consultórios estão lotados de pessoas que precisam pôr para fora o que lhes angustia. Nossas empresas clamam por líderes capazes de ouvir seus liderados em suas supostas limitações e queixas.

Parece que temos uma crise enorme nessa área: de alguma forma perdemos (alguma vez tivemos?) a capacidade de nos inclinarmos ao outro desarmados, abertos, acolhedores, apenas a ouvi-los.

Ouvir tem a ver com acolher. Sim. Quem ouve o outro demonstra-lhe um tipo de amor raro nos dias de hoje. Quem escuta o outro está dispondo seu tempo, sua energia, sua agenda ao seu não-eu. Está lhe dizendo: "Venha. Eu te aceito, te acolho. Não te julgo ou penalizo".

Quando eu falo, me projeto. Quando ouço, internalizo. Recebo. Talvez até entenda\compreenda o outro, quem sabe?

Em apoios pedagógicos e psicológicos às indústrias e empresas percebo que elas querem falar. Precisam desabafar suas demandas, suas dificuldades, suas angústias. Vou, escuto e escuto. Basicamente só escuto. Isso já lhes alivia um pouco as pressões. Num primeiro momento invisto horas a fio diante dos gerentes e\ou líderes apenas lhes ouvindo.

Conheço mulheres que, por não conseguirem escutar seus maridos, põem em grave risco seus relacionamentos. Homens, idem. Conheço adolescentes e crianças que adoecem, ficam com febre ou são até internadas sem qualquer motivo médico. Quando vamos investigar: fator emocional. Ou não estão acostumados a falarem de suas dores emocionais ou nunca lhe deram espaço para isso. (Atenção, mamães e papais!).

Conheço profissionais de saúde que mal olham seus pacientes. Quanto menos os escutam com atenção. Quanto mais pessoas atenderem melhor para seu salário e aquilo que seria resolvido por uma simples palavra custa o preço de toda uma vida calada, recalcada, escondida, amedrontada e não projetada, por que a gente tanto se projeta por meio da fala quanto se cura pelo mesmo caminho.

Conheço também colegas que talvez para provarem que são bons terapeutas “falam pelos cotovelos”. Já vi muita gente boa perder a oportunidade de acolher seus clientes através de uma boa escuta. Ao contrário, lhes contam sobre sua formação, sua vida, seus problemas, sucessos. É estranho mas isso acontece, infelizmente. É o analista precisando de análise.

"Cala a boca, menino" devia ser trocado por "fala, garoto". Toda vez que nosso filho viesse de uma encrenca, de um mal estar na rua, com alguma queixa ou grito. Ouvir atentamente seu filho está ligado a acolhê-lo em amor.

Quero mais é ouvir. Por isso mesmo vou terminando apor aqui meu texto de hoje.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Homem ou mulher?


Ele se senta na mesa numa posição em que dá para ver a entrada da casa e a outra porta da cozinha. O gesto é de atenção, embora tudo esteja tranquilo e seguro. Seu instinto é de controle e dominação, como eram seus parentes/machos antigos, lá da caverna.

Ela é diferente. Bem diferente: se senta na mesa verificando se todos os talheres estão disponíveis, se cada um tem copo e prato adiante, se todos já se serviram. Vai e, finalmente se serve. Come. Come mas pergunta a um e a outro se quer mais isso ou aquilo, se gostou dos legumes. Além disso ela pergunta se estou triste, se está tudo bem. Ela sente na cara da gente se há algo de errado: ela é mulher.

Estamos na época de pensar em coisas como pós gênero: há linhas teóricas que defendem a idéia de criar a criança sem imposição de cor-de-rosa para las ninãs e carrinhos para os meninos para que eles descubram por si sós o sexo, ou melhor, a expressão sexual que seguirão quando puderem discernir pessoal e particularmente suas preferências.

Entretanto, quero ainda me aprofundar na idéia de que “Homens São de Mártir e Mulheres, de Vênus” e perguntar “Por que Homens Fazem Sexo e Mulheres Fazem Amor”. Sim, porque esse também é um questionamento que ainda não conseguimos, mesmo com toda a tecnologia, todas as pesquisas e todos os possíveis mapeamentos cerebrais, responder completamente.

Sei que há controvérsias para as diferenças entre homens e mulheres, embora não se possa discutir que, de um modo geral, os músculos dos homens são mais fortes e a mulher, como no caso acima, tem mais facilidade de encontrar objetos pequenos dentro da geladeira, de perceber com maior facilidade as oscilações emocionais dos outros etc.

Está mais que constatado, até a partir de exames do cérebro que homens e mulheres são diferentes e que cada um dispõe, por evolução ou por disposição hormonal, de diferentes componentes cerebrais, de diferentes características, diferentes jeitos e formas distintas.

Cada um possui específicas inteligências para esta ou aquela questão. Raramente uma mulher, por exemplo, tem muita facilidade para lidar com cálculos ou aptidão para utilização de mapas. Já os homens “preferem” falar menos, tem menor habilidade para cuidar da casa ou de detalhes. Claro que tudo isso tem exceções, mas é o que se vê.

Na Revolução Feminina – que ainda está em andamento e parece ser a revolução mais longa da história – a mulher estava mais interessada em ser respeitada como pessoa humana e com o poder de escolha de ter filhos ou não do que viver em competição com o homem, como se prega por aí.

Gosto de saber que há coisas das quais não tenho a menor habilidade e que posso contar com o outro – ele-macho – para resolver para mim. Também não vejo o menor problema em mostrar aos meus queridos colegas, amigos ou ao meu marido que o documento de que precisam (e que estão há horas procurando), está logo ali, na primeira fileira, à sua frente.

Somos iguais como seres humanos. Somos diferentes em nossas inteligências e habilidades. Um pode enriquecer o outro, sempre. Aí é bom. Pensar assim vale a pena.

Humanos é o que somos. Simples e complexo assim.







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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cansei de ser formiga, eu quero é ser cigarra!


(Por Tercio Roberto - Primeiro sobrinho de Ieda)

Tempo muito louco esse o nosso. Talvez nunca um ser humano, pelo menos no que estamos concebendo como um país subdesenvolvido, teve acesso a tanta informação, arte, cultura, meios de produção e lazer.

O trabalho é apresentado como uma virtude. A falta dele, uma verdadeira desgraça social, psicológica e financeira. Do ponto de vista econômico o valor do trabalho é apresentado com verdadeira chave para o desenvolvimento. Quanto mais empregos, mais trabalho, mais felicidade. No sentido oposto, quanto menos trabalho, menos felicidade, menos produção de riqueza, menos tranqüilidade.

Pra quem não tem trabalho, depressão. Para quem é viciado em trabalho, tratamento. O mesmo fato, sob pontos de vista antagônicos, apresenta resultados iguais... Intrigante isso.

Nesse contexto é que vemos a questão do acesso à informação e da relação disso com a nossa cabeça. Enquanto a internet é a minha maior fonte para pesquisa - pelo menos a primeira, para me orientar sobre para onde olhar - ou seja para o trabalho, é também uma boa fonte de lazer - musica, redes sociais, etc. Tenho a sensação de ter um mundo aberto e sem rumo.

Aí é que mora o perigo. Quando eu nasci, sabia que para ser alguém bem sucedido na vida bastava pouco: “UMA FORMATURA”. Depois de um tempo, chegada a ‘formatura’, essa linha foi quebrada para se concluir que aquela não era suficiente. E o que é suficiente?

Não da para saber mais o que é suficiente porque hoje ninguém sabe de nada, ou melhor, sabe de tudo.

Basta uma ‘googlada’ para saber nome e cpf de qualquer mortal. Eu preciso, então, definir qual o limite da suficiência... Difícil. Porque mesmo as formigas trabalham juntas para o próximo inverno. Já nós, trabalhamos sozinhos, rumo a um futuro incerto, numa estrada sem fim, um infinito. Não concorremos mais com a cigarra. Concorremos com a formiga do lado e com a mesma intensidade com aquela localizada do outro lado do planeta, mesmo anônima.

Para alguém de formação puritana, ou melhor, protestante, o trabalho é não apenas o fruto do pecado, mas a verdadeira redenção. É que o trabalho foi imposto por Deus como castigo ao homem em face do pecado original. De outro lado o trabalho mostra-se como mecanismo de consagração. É que o trabalho é o oposto do lazer. E o lazer, normalmente leva o ser humano ao pecado. Isso fica fácil se você lê as noções sobre pecado e virtude. Dos sete pecados capitais, pelo menos a gula, a luxuria, a preguiça e a vaidade estão relacionados ao lazer. A comida, o sexo, o descanso e a beleza estão relacionadas diretamente ao lazer.

Em outro sentido, a virtude, essa encontra-se relacionada ao trabalho, ao ‘suor do teu rosto’ de onde virá o pão! Nesse contexto, sempre se referiu, na fábula da formiga e da cigarra, que a certa era a formiga, porque laboriosa, enquanto a que se dedica ao lazer, a cigarra, era uma irresponsável.

O povo da Bahia é também compreendido nesse sentido. É um povo, como se diz nas ruas da cidade, ‘folgado’, ou ‘descansado’ porque consegue ignorar o sentido do trabalho como algo sagrado. Afinal, sagrado por essas plagas é Cosme e Damião, em cuja cerimônia de reverência se envolve uma comilança dos mais variados quitutes, dentre os quais o acarajé, o vatapá, o caruru, a pipoca, a rapadura, o xinxin e outras tantas guloseimas, próprias do povo daqui. O trabalho não tem nada de sagrado.

Ai é que a loucura fica grande. Porque para quem foi criado tendo como referência o trabalho, fica difícil acreditar que a formiga estava errada!

Porque, fazendo uma análise, não me lembro de um primo, um tio, um avô ou irmão que cultive um hábito, um lazer... uma coleção, um suvenir, um estilo de vida, nada. Na família, todo mundo deu pro que presta... todos laboriosamente TRABALHAM!

Daí cheguei à conclusão: cansei de ser formiga, quero mesmo é ser cigarra. Como? Não faço a menor idéia, mas aí fica com a minha Analista: afinal, não quero ter mais esse trabalho. Já basta!

Salvador, 27 de setembro de 2011.


(Obs.: Tenho o maior orgulho de postar este texto aqui. Ele foi escrito pelo meu primeiro sobrinho e mesmo sem sua autorização, faço questão de publicar aqui essa coisa leve e engraçada, inteligente e intrigante (a cara dele!). Cá entre nós: é pra ficar babando ou não, gente?)

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

O ótimo é inimigo do bom


Nesses dias em que o espetacular parece ter ampla aceitação entre todos as pessoas, foi muito bom ouvir de uma famosa atriz brasileira a frase: “o ótimo é inimigo do bom.”

A idéia traz consigo uma exigência para pensar: se estou muito fixada em atingir altas metas e ‘ser a pessoa mais feliz do mundo’, vou moldando minha existência a partir do difícil, do inatingível, do impossível. Fica difícil viver e vou tendo ansiedade, medo, transtornos.

Não é difícil, a propósito, ouvir até de bocas ditas religiosas o mesmo discurso: “coisas sobrenaturais devem acontecer a todo momento, aqui e ali”. É como se estivéssemos tão cansados da vida cotidiana, daquela que é mesmo rotineira, sem grandes emoções ou novidades e precisássemos lançar mão do exagero, do maravilhoso, do fato além do aqui, além da imaginação.

E qual o maior problema desse tipo de pensamento? Não é mesmo bom lançarmos nossa alma para o infinito e sairmos da maresia, do rotineiro? Sim. Talvez. Inclusive defendo a idéia de que precisamos de um pouco de fantasia para aplacar nossas dores e/ou dificuldade que temos de dormir.

O contra-ponto mesmo do caso é que se temos o coração em fatos extravagantes e excepcionais, no ato espetacular mesmo, perdemos nossa sensibilidade para ver com alegria as coisas naturais. Aquelas mesmo do nosso dia a dia, as coisas simples... Talvez um céu cheinho de estrelas que nunca mais nos encantou pois “precisamos de mais”, sempre.

Daí fica fácil a nossa vida ficar vazia e sem sentido pois a meta não será alcançada nunca. Pelo menos não tão perto daquela expectativa que criei de ter a barriga igual à daquela modelo internacional ou o cabelo igual ao daquela famosa atriz. Ou o salário do Bil, ou o jatinho daquele Fulano de Tal.

A grama do vizinho parece ser sempre mais verde e a minha – pobre da minha – seca, pobre, feia, desalinhada.

Crio muita expectativa sobre minha felicidade e me esqueço de viver minhas pequenas alegrias.

Traço uma linha extremamente alta sobre o próximo ponto em que deverei ir e nem um passo – um passinho sequer – consigo dar além consigo dar, porque o que vale mesmo é o passo grande, o que me faz ser milionário, o que me oferece a família mais bela e perfeitinha.

Talvez um pouco de dose de realidade me ajude a sondar meus próprios passos, reavaliar e aceitar minhas próprias circunstâncias com coragem e disposição para lidar com o que não posso mudar, tentar modificar o que for possível e me alegrar com o que já tenho em mãos.

O ótimo é inimigo do bom. Se meu coração está no ótimo, no extraordinário e não o alcanço, me canso fácil, desanimo da luta e penduro as chuteiras.

O bom está aqui, na altura dos meus braços e posso agarrá-lo. Talvez transformá-lo em ótimo, quem sabe? Mas já é bom. Já é o possível. O que posso realizar.

Eu tenho os pés no chão.




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Aos meus colegas analistas



Pra todos os lados a constatação é uma só: estamos no século da depressão.

Há uma espécie de mal estar coletivo que agride, maltrata, desintegra, fragiliza o ser humano, mesmo enquanto ele desfruta de boa tecnologia, de uma economia em desenvolvimento ou de outras ‘regalias’ da vida moderna.

O Prozac, medicação psiquiátrica, mais do que nunca, tem sido receitado como a ‘pílula da felicidade’, constatando que cada vez mais a gente tem menos sentimento de onipotência e auto-suficiência e nossa vulnerabilidade e insegurança tem aumentado geometricamente.

Há autores que sinalizam que esse tipo de sofrimento seja fruto de um crescente individualismo, somado a uma crescente globalização massificante. Cada vez mais tentamos viver para nós mesmos, com olhos em nossos próprios umbigos e vamos nos enfraquecendo como pessoas, como seres de relacionamentos que somos.

Nossa dor é moral, é psíquica. O que antes era reconhecido como neurose de angústia, hoje é detectado em vários dos nossos pacientes como Síndrome do Pânico, demonstrando claramente que não estamos instrumentalizados para lidarmos com nossa impotência e fragilidade humanas.

Apesar de ser questionável, se pretende eficácia na utilização das drogas para ajudar nesse tipo de sofrimento. O consultório anda cheio de gente que, dentre outras queixas, pontua uma tristeza sem aparente motivo, uma insegurança angustiante, uma falta do que quase não tem nome.

A Depressão que é uma agressão voltada para dentro, carregada de emoções negativas, faz ferver dentro de nós um caldo bioquímico tóxico bastante desconstrutivo. O preço disso é alto, sim, embora nossos conflitos subjetivos pareçam ser ainda maiores e mais graves que supostas falhas químicas desse ou daquele hormônio, desse ou daquele neurotransmissor.

A síndrome das metrópoles reforça o sentimento de que estamos sozinhos em meio a multidão e essa percepção é mais comum do que se imagina, mesmo em cidades menores como Jequié, onde moramos. Pessoas se sentem sozinhas, desamparadas, tristes.


Esse estado de coisas deve nos levar a considerar que o amor conta muito, principalmente se a gente pretende pensar em alguma cura. Em especial, tenhamos em ênfase expressões mais brandas de amor como o companheirismo, a amizade, o afeto, o acolhimento e a tolerância, tendo em vsita que paixão – sentimento intenso e arrebatador – passa com o tempo.

Incluo na indicação de amor que tenhamos também paciência para ouvir o outro. Ouvir sem elaborar julgamentos ou condenações. Para acolhê-lo em sua dor. Seja ela (a dor) o que for. Seja ele (o paciente), quem for.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Construção de Identidade

Aos pouquinhos, desde a infância, vamos construindo nossa identidade. Vou sabendo de mim, do que gosto, do que não gosto, de quem sou, de quem não sou. Vou me descobrindo e querendo seguir adiante, sempre. Ou não, como diria Caetano.

Nosso desenvolvimento emocional passa necessariamente pelo que trago de minha família hereditariamente. Cor dos olhos, tipo de cabelo, algum traço de personalidade, de jeito, de trejeitos.

Além do que trago, vou também sendo moldada pelo meio em que vivo. A importância do outro nessa construção de meu eu é grande. É junto com os outros que avalio quem sou. Que aprendo a ser gente, a conviver com pessoas. Primeiro em casa, depois na escola. Aí vem os outros laços sociais, a profissão etc.

Além disso tem o que eu escolho ser. O que decido ser. Posso receber mil conselhos, porém o veredito final será dado a partir do que digo sim ou não. Quero ou não quero. Desejo ou não desejo. A propósito, vale ressaltar que a maioria de nossas decisões não são tão conscientes quanto pensamos.

Gosto de saber que sou dona de minha história, autora de minha vida. Posso decidir (cortar mesmo!). Posso romper, errar e acertar, ajustar ponteiros, agir e reagir, me calar - até - em alguns momentos.

Gosto de saber que eu mesma posso interferir em meu próprio existir, tendo consciência de meus pensamentos e orientando-os para meu próprio bem e para o bem do meio onde vivo.

Escolher ser é algo desafiador. Preciso de coragem e disposição para ser quem realmente sou, já que dentro de mim há conflitos e fora de mim, também.

Na sociedade há forças contrárias às minhas vontades e tudo isso parece um grande caldeirão cheio de sabores, alegrias, venturas bem como tristezas, frustações, decepções e estresse.

Para sobreviver a tudo isso e ainda tomar decisões, continuar com ânimo, ter vontade de viver; é necessário ter coragem. Preciso também dos suportes dados lá na primeira infância, a partir do colinho seguro e necessário da mamãe. Ou da figura materna que vier a cuidar de mim.

Caso esses elementos não tenham sido suficientemente bons, ainda há chance: firmar pilares existenciais, contabilizando e considerando o que for possível ou ainda criando novas estruturas, a partir do que restou.

Se não consigo sozinho, buscar ajuda profissional me ajudará sensivelmente a ser quem sou, assumindo de forma madura e consciente minhas virtudes e defeitos, com maior qualidade de vida e boa saúde mental.





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domingo, 26 de junho de 2011

INTERPRETAÇÃO DE SONHOS


Longe de terem uma explicação mística, os sonhos são uma forma de termos acesso ao nosso inconsciente. E é justamente para isso que a Psicanálise serve: se tenho acesso às causas de meus impulsos interiores desconhecidos, poderei dar consciência ao que está recalcado, escurecido, incompreendido e assim, terei mais maturidade e capacidade de lidar com minhas dificuldades emocionais e pessoais.

Para cada pessoa, cada sonho terá um significado especial, dependendo da história de vida, da condição sóciocultural e do conjunto de valores de cada um. E ter acesso a esse tipo de conhecimento trará o inconsciente à consciência, gerando em mim maturidade emocional.

É preciso considerar que sempre haverá um motivo, uma razão, para justificar nossas fraquezas, limitações e impulsos. Não para nos justificar ou redimir, mas para nos dar uma direção consciente, apropriada e equilibrada ao nosso modo de ver, agir e pensar o mundo.

Revelar o inconsciente e trazê-lo à consciência é um processo por vezes dolorido e difícil, mas os resultados são especialmente bons para nossa saúde mental e emocional. Se meus sonhos me dão esse prêmio, se trabalhados devidamente, eu preciso analisá-los.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Conforto


Apesar de estar absolutamente na moda a dica de "sair da zona de conforto" e enquanto todo mundo corre para garantir seu lugar ao sol nesse nosso mundo capitalista que nos impõe obrigações em prol da sobrevivência e de sempre ter mais, vale a pena pensar um pouco sobre um tipo de conforto que não esteja ligado ao que a gente comumente pensa. Quero discutir conforto do ponto de vista imaterial, intangível, necessário e indispensável ao nosso bem estar emocional. Aquilo que dá sabor e cor à nossa existência.

Quando a gente é pequeno é mais fácil. Excetuando-se um ou outro caso em que prováveis fatalidades podem ter ocorrido, a gente teve o colinho da mãe ou de outra pessoa que nos tenha feito a maternagem da qual necessitamos para nosso normal desenvolvimento individual e emocional.

Sem choramingos, todos nós tivemos sim alguém - um pai, uma irmã, um tia, uma babá - que cuidou de nós, nos limpou, que nos ajudou a crescer e a construir aos poucos nossa identidade pessoal e emocional. Ideal ou não, tivemos cuidados especiais senão não estaríamos sequer vivos. O bebê humano precisa disso para viver.

Mas a gente cresce. E embora se desconfie que há, vez por outra, quase que por pura carência afetiva, uma extrema necessidade de receber e dar um abraço apertado em alguém, de receber um toque respeitador, um olhar afetuoso e não julgador, raras vezes a gente organiza a idéia do quão importante é um abraço quando adultos.

Quando abraço, ao mesmo tempo sou abraçada. Nesse momento as minhas exigências internas tem contato com o mundo externo. Talvez aí mesmo eu encontre a ponte entre a minha subjetividade e o mundo objetivo, equilibrando, assim, minhas emoções. Isso nos dá chão e nos equilibra.

Mas o adulto pode ser tentado a pensar: se sou uma pessoa adulta, não preciso mais de acolhimento. Nem preciso dar ao outro, ao meu não-eu, um pouco de afeto. Isso se intensifica mais ainda quando se tem o hábito de sensualizar as relações. Grande prejuízo para nosso viver.

Adultos, adolescentes, idodos e crianças necessitam de apoio emocional - mereçam ou não. Precisamos de cumplicidade, de carinho, de cuidados, de um lar que nos promova segurança, afeto, o mínimo de consciência de que não estamos sozinhos no espaço e no tempo. Se meu lar não me dá essa noção, preciso criá-la. Com minha criatividade. Com disposição e coragem. Mesmo que seja só daqui pra frente. Sempre há tempo para refazer as histórias.

Gosto de ler Dr. Winnicott (1) pontuando a importância do cercadinho. Gosto de saber que somos seres dos outros. Gosto de saber que, por exemplo, sou de minha irmã e ela é, de alguma forma, minha. Gosto pensar na idéia de que, aos poucos, desde o abraço da mãe, indo para o bercinho, para o cercadinho, partindo do aconchego familiar, da primeira escola, até os primeiros contatos sociais vou adquiririndo minha independência pessoal e meu jeito próprio de ser. Vou amadurecendo a partir do outro, sempre.

É no outro que podemos ter apoio emocional. É a partir da minha relação com o outro que me vejo e me faço gente. É a partir dele que acolho e sou acolhida, apesar (muitas vezes) de nós mesmos e nossas tão frequentes falhas, fragilidades e equívocos.


Ref.: (1) D. Winnicott - A família e o Desenvolvimento Pessoal.

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ser mulher


Tenho uma predileção especial para estudar mulheres.

Eu penso nelas como gente, como pessoa em ascendência.

Desde Simone de Beauvoir e o movimento feminista, desde as lavadeiras de roupas às margens dos rios em nossas cidades e sua luta pela sobrevivência, o tema me instiga e intriga.

Ser mulher nos dias atuais é algo que beira à contradição: se por um lado ocupamos espaços que historicamente eram como propriedade e direito masculinos, sofremos ainda preconceitos de toda sorte, por todos os lados.

É comum procurarem "o chefe" em departamentos em que só trabalham mulheres ou imaginarem que se a mulher está sozinha ela pode ser assediada de qualquer forma.

Hoje uma cena me chamou a atenção, logo cedo. Observei melhor, com a ajuda de jornalistas, a foto da reunião da Casa Branca sobre os ataques que levaram Osama Bin Laden à morte.

Eu quero ver e pensar aquilo do ponto de vista feminino. Hillary Clinton, na sala de reuniões, era uma das únicas mulheres entre aproximadamente dez homens. Há também, ao fundo da foto que foi divulgada pelos EUA, uma outra mulher. De pé, ao fundo. Os jornalistas afirmavam que ela não tinha qualquer importância. Para quem?

Fiquei pensando que Hillary foi a única pessoa do grupo a expressar, com a mão direita na boca e em silêncio, o que ninguém soube dizer.

Aquela mulher pode ter ficado preocupada com o que aconteceria com os militares que, de helicoptero, estavam naquele momento entrando na casa onde estava Osama e seu grupo. Ou ela pensava que certamente teria sangue e isso seria visto em seguida, não se sabe.

Sendo mulher, Hillary demonstra na foto que sofreu. Talvez houvesse considerado sua maternidade - posto que só uma mulher pode considerar isso - e houvesse sofrido ao saber que vidas seriam ceifadas... não se pode ir no coração de ninguém.

De qualquer forma a mulher fala. Fala muito. Fala nas entrelinhas, em sua expressão corporal, com as mãos, com os olhos. Homens também. Claro. Há, porém, no gesto feminino algo de profundo, de materno, de curioso, de espetacular.

Sinto que muitas mulheres não compreendam bem a liberdade conseguida com luta a partir do Movimento Feminista.

Sobre o assunto, creio que sejam pertinentes as observações abaixo:

  • Definitivamente mulher não é igual ao homem.
  • Nós pensamos diferente, temos nosso olhar próprio sobre as coisas.
  • Nós não estamos em promoção, não somos baratas.
  • Nossa maternidade (latente ou manifesta) nos dá autoridade para falar com mais propriedade sobre vida ou morte.
  • Chegando perto de um ser feminino é sempre bom se lembrar da palavra reverência.
  • Não subestimar jamais a inteligência de uma mulher.
Não se deve ter vergonha de dizer: isso ou aquilo eu não consigo fazer porque não tenho forças. Se homens tem músculos, é bom que sejam usados. Força para quem tem força. Eu não preciso brigar pelo poder do outro.

Eu não preciso entrar em concorrência em minha casa se eu lavo melhor os pratos que meu companheiro. Há coisas que, como mulher, faço melhor. Outras que ele, como homem, faz com melhor eficácia.

Não há sentido em ficarmos competindo. A vida é maior e melhor que as quinquilharias que criamos.

Sou pelo Movimento Feminista que ainda hoje se perpetua no mundo inteiro. Apedrejar uma mulher por adultério significa dizer que ela estava numa relação sozinha. Cadê o seu parceiro? Também seria apedrejado?

Sou por um movimento inteligente que percebe e respeita os espaços de cada gênero mas que também fortalece a mulher a desconfiar que seu comportamento deve ser o de gente emancipada, resolvida, bem orientada e confiante.

Outro dia vi uma mulher em plena Av. Rio Branco, aqui em Jequié, dançando uma daquelas músicas baianas das quais a gente tem vergonha. Preconceitos e moralidades à parte, ela abaixava e se levantava com sua saia curtíssima, crendo que atrairia alguém, talvez.

Pode ser. Pode atrair. Há gente e pensamento de toda sorte. Há pessoas para quem aquele gesto é só mais um gesto que lhe excita ou não.

A minha pergunta é: qual o lugar, qual o espaço que aquela mulher pretende ocupar em sua existência? Que tipo de sentimento ela proporcionava a quem estava por perto? Que visão de gente a gente pode ter ao ver as tão lindas moças - e homens - com essas novas danças (danças?)?

As sociedades Romanas e Egípcias, por exemplo, eram mais imorais que a nossa. Certo. Então não cabem aqui discursos moralistas. Não em pleno século XXI.

Cabe, sim, em qualquer época, a criticidade sobre nossas ações como gente, o questionamento sobre nossa capacidade de ser, pensar e agir. Isso, sim, julgo ser pertinente numa sociedade em que as pessoas sofrem seus males e vão para nossos consultórios com existências desintegradas e completamente deprimidas e/ou ansiosas por não terem se encontrado como gente.






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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Depressão Pós Parto




A menininha, encantada com sua nova boneca, gasta toda a sua manhã arrumando o cabelo do novo “neném” e trocando sua roupinha. Depois, inevitavelmente põe o bebê para dormir em seu colo num inegável treinamento do que fará quando for grande e tiver oportunidade de ter um bebê de verdade em seus braços.

Aos poucos a maternidade feminina (termo quase redundante) vai vindo à tona. Antes mesmo do/a filho/filha nascer, a mulher já o/a desejou, já sonhou com ele/ela, já sorriu só de pensar na possibilidade de ver sair de si mesma um outro alguém que terá uma nova vida pela frente. Dizem que filhos são projetos daquilo que eu quis ser e não consegui em minha existência. Certamente por isso (além de outras complexidades) que a gente deseja ter filhos.

O sonho de ser mãe vem carregado de boas expectativas, de desejos, de alegrias mas também vem carregado de dúvidas e incertezas. Especialmente no contexto em que vivemos, neste mundo de ponta cabeça, a gente nunca sabe (e soube alguma vez?) o que vem pela frente. No fundo a gente quer mesmo é se perpetuar, quer se ver no rostinho do outro, quer se descobrir gente capaz de ‘fazer’ nova gente. Quer se projetar numa outra vida, quer se reproduzir.

Quem não se alegra vendo um pezinho pequenininho em crescimento? Ou quanta alegria há no coração de uma mãe quando percebe que tem, em seu colo, alguém que traz seu dna, que garante sua perpetuação? Quem vê tanta beleza assim não consegue imaginar quanta tristeza passa no coração de uma mãe que, fatalmente, se percebe triste, desanimada e desgostosa por ter acabado de parir. É mais ou menos assim que ocorre a Depressão Pós-parto. A mãe vai sentindo algo ‘errado’ em suas emoções e, ao contrário da esperada festa, começa a ter sentimentos estranhos em relação ao seu novo bebezinho, à si mesma, ao seu companheiro, à vida etc.

Emoções fortes após o parto são naturais. Quando nasce uma criança também nasce uma mãe. Ainda que já não seja “marinheira de primeira viagem”, aquela nova pessoinha deverá estar cercada de delicados cuidados e novos rituais na casa até que todos se acostumem com a novidade. E quão boa e inusitada é sempre essa ‘novidade’.

Para algumas mães, entretanto, o bicho papão da Depressão Pós Parto vem como vontade de chorar, com ansiedade, com intolerância, tristeza, desânimo, falta de apetite, angústia. Além dessas coisas, a mãe se sente culpada por não ‘desejar’ aquele bebezinho recém-nascido e até pode desenvolver pensamentos de morte. Morte para ela mesma e até para o bebê. Ela, a mãe, não entende o que está acontecendo com seus sentimentos e emoções e sofre. Sofre muito com toda essa situação.

As causas da Depressão Pós Parto podem vir de fatores biológicos (como por exemplo prédisposição familiar para depressão ou problemas hormonais) e/ou fatores psicológicos como baixa auto-estima, ansiedade ou sentimentos negativos acerca da gravidez; má relação com sua própria mãe - que será projetada para a criança; problemas familiares (especialmente com o companheiro); problemas financeiros etc.

Consequência da depressão na mãe, a criança poderá ter dificuldades em seus relacionamentos interpessoais, para agravar ainda mais a situação, tendo em vista que ela ficaria diretamente afetada com a situação depressiva de sua genitora. Essas crianças podem se tornar pessoas inseguras e difíceis pois tiveram, em seus primeiros momentos de vida, relação conflituosa com suas mães.

Para minimizar toda essa situação é estritamente importante que a mulher-mãe seja acolhida e compreendida em seus sentimentos, especialmente se ela for acometida de crises depressivas no seu pós parto. Que não seja julgada se apresentar “curiosamente” certa tristeza após o parto.

Quanto ao tratamento, esta mãe deverá ser encaminhada a fazer uso de medicação (indicada por um médico psiquiatra) e/ou psicoterapia. Valerá, além disso, ter amigos por perto, ter oportunidade de falar/desabafar e ser ouvida com o devido acolhimento e respeito e acima de tudo contar com muito apoio familiar.

Mulheres grávidas podem ser acometidas por diversos problemas tanto em sua gravidez quanto depois do parto. De qualquer forma, ainda que plenamente realizadas, devem ser atendidas com cuidado, carinho, atenção.

Ser mãe é a forma mais sagrada de perpetuar a vida. Seja, então, alegre e realizadora a maternidade.







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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Morte e Luto


MORTE E LUTO


Pouca gente gosta de falar da morte, embora ela esteja, indiscutivelmente presente em nosso cotidiano. Volta e meia e lá se foi um parente próximo, um amigo, um conhecido, uma pessoa famosa ou desconhecida até. E a notícia nefasta, dolorida, brava, forte, impiedosa, chega a nós: “fulano morreu.”

A depender do lugar emocional que a pessoa (ou animal, até) ocupe em nosso coração, a notícia vai doer mais em alguns casos, menos em outro, mas não passa sem deixar marcas. Ninguém gosta de perder. Ninguém quer perder ninguém.

A notícia da morte vindoura nos dá a chance de passarmos por cinco estágios de amadurecimento da idéia, sendo que o primeiro deles é a negação. Você realmente não quer acreditar que aquilo possa ser verdade, posto que assusta, amedronta, aterroriza. Logo após vem a fase da raiva, da barganha, da depressão e, enfim, a aceitação.

Pensar na morte é, por mais contraditório que possa parecer, pensar na vida. Nada mais certo, mais humano e mais democrático que ela, a “dita cuja”. Pobres, ricos, brancos ou negros, intelectuais ou incultos, crianças, jovens ou idosos, a morte vem sem pedir licença, sem ouvir nosso sofrimento, sem considerar os conflitos que gerará pela desorganização que provoca em nosso ânimo, em nossa vida. Ela vem e cumpre sua missão, com mão de ferro.

Por falar em sofrimento, vem o LUTO. A sensação de perda. As pessoas mais antigas costumavam usar o preto em suas vestes. Hoje em dia, embora isso não seja tão constante, o coração das pessoas estará, sim, em pranto, como se estivesse no escuro, triste, por algum tempo.

O luto é um processo natural pelo qual passam as pessoas que ficaram do lado de cá. É a dor necessária visto que a desordem, a falta, a ausência do nosso objeto de amor não estará mais presente, ao menos fisicamente.

Complicado é quando o luto se estende por muito tempo. Há teóricos que sugerem seis meses, outros que pontuam um ano para que a dor diminua e o enlutado siga normalmente sua vida. Um ano, explicam, marcaria o tempo de se passar todas as datas festivas, o que antes era comemoração, agora sem a pessoa amada.

Além desse tempo, podemos considerar esse luto carregado de melancolia como algo patológico e o enlutado, assim, deverá ser tratado com reverência, respeito à sua dor, mas também, se necessário, com cuidados profissionais. Ninguém merece viver a vida inteira chorando a dor de quem se foi.

O exercício de redimensionar a vida e de projetar seu amor, também, para outra pessoa não é fácil tarefa para muita gente. Pensar em novos projetos, em fazer a vida valer a pena, em continuar a viver com coragem e alegria é um ponto necessário para lhe ajudar a conviver com a dor, com a perda.

Dar uma nova direção e significação à sua existência é, para mim, um bom passo para superar o luto que, aos poucos, vai cedendo lugar a uma certa segurança interior, a uma saudade serena e paciente.

Não adianta se desesperar e não é razoável entrar em pânico. Admitir a morte de quem amamos com serenidade e ternura é um exercício que nos fará bem à vida, principalmente se nossa percepção espiritual estiver antenada à fé, à transcendência.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Solidão no Casamento


Uma coisa é saber que você foi traído, que lhe trocaram por alguém supostamente mais interessante e a relação se acabou. Você chora, até se descontrola e precisa de um tempo para retomar a vida normal e perceber que é necessário construir o que restou da vida, ainda que sozinho, para seguir adiante.


A solidão pode vir também de uma grande viagem, de uma ausência necessária devido a trabalho ou algum outro fator do cônjuge, do/a companheiro/a. Lá vai. Menos mal. Nada que um telefonema, uma comunicação qualquer não ajude a superar.


Mas quando a solidão está presente em casais Casadinhos da Silva? No início tudo eram flores (tudo bem, nem tanto assim!). Tudo maravilhoso... até que os dois, ainda que na mesma cama, não se encontram. Nem na cama, nem na mesa, nem na sala, nem nos olhares, nem em sorrisos, em nada.


Um acorda antes do outro, toma seu rápido café da manhã, vai para o outro lado da cidade, trabalhar. O outro, ao acordar, cuida de seu próprio almoço e segue sua vida solitária de gente casada. Um finge para o outro que tudo está bem, mas o intruso vazio está ali, latente, presente, provocando o frio e doloroso silêncio diário.


Sim. Estou falando de casais que moram na mesma casa, compartilham até mesmo uma só cama mas estão sozinhos. Fato curioso este. De vez em quando são vistos, em silêncio, de mãos dadas na pracinha. Mas a distância entre eles está ali, presente, corroendo as veias de um relacionamento que já se foi embora ninguém ainda tenha percebido. Ou tenha tido coragem de falar: “o que é que há?”


O casal percebe que há algo de errado com eles, mas o avanço tecnológico distrai os dois. Chegam do trabalho e vão ver seu Orkut, seu Facebook. Tem o Twitter também. Ou vão cuidar dos filhos, da casa, da roupa. Da comida do dia seguinte. E o silêncio está ali, presente. Nenhum olhar, nenhum: “como foi seu dia?”, nada.


Há um poeta infantil que, em sua música, tenta definir solidão como sendo “sentimento de que o mundo se acabou. Todo mundo foi embora só a gente que ficou...” É quase isso o que acontece: “Cada qual no seu canto sofrendo seu tanto.” Só. Apenas só.


E o homem e a mulher, que são seres sociais, por definição e por essência, que buscaram a relação com o/a outra/a para amenizar a dor de sua própria existência, para ter mais beleza e alegria na vida, se vê, de novo, sozinho. Assim como se sentiram sozinhos ao nascer, ficando agora pela primeira vez longe daquela barriguinha quentinha e acolhedora.


Vivemos num tempo em que as relações afetivas exigem mais maturidade e menos intenção de controle sobre as pessoas. Elas precisam de liberdade. Ao mesmo tempo, quando convido o outro para compartilhar com ele minha vida, estou também permitindo que ele, junto comigo, hospede a eternidade.


Nessa relação, já dizia o Dr. Flávio Gikovate, deve existir individualismo, respeito, prazer de estar junto com o outro. Não uma relação de quase ou absoluta dependência como era no tempo de nossos pais. Hoje em dia as pessoas tem sede de autonomia. E autonomia e convivência mútua e respeitosa são questões que se harmonizam entre si.


Ou seja: é possível viver minha própria vida quando o outro, ao meu lado, e junto comigo, amorosamente vive também sua individualidade, sua existência e compartilhamos alegrias, tristezas, doenças, pobreza, riqueza. Estar junto é muito bom. Viver em companhia é uma delícia.


Ninguém é solução para minha felicidade. A ninguém cabe o peso de ser minha metade, meu outro pedaço. Isso não é fácil tarefa. Somos pessoas inteiras (apesar de inacabadas, em construção de identidade etc) não uma metade. Não preciso, como dizem, do “outro lado da laranja” para me sentir completo. Já sou uma pessoa completa, inteira. Quem estiver ao meu lado será companheiro/a de jornada, cúmplice nas experiências da vida.


Talvez a palavra apropriada e necessária aqui seja: PARCERIA. Parceiro/a de caminhada. Pessoa com quem convivo e vivo em reverência, respeito, paixão, desejo e amor. Mas um outro que, como eu, tem direito a errar e a desviar o caminho, a ser gente, posto que é gente como eu sou. Que tem direito a querer estar sozinho, mas por opção. Não porque lhe nego um copo d’água, uma conversa, um olhar, o meu amor sincero e maduro.


E se aos poucos a gente fosse pensando que é mais importante desejar o outro do que ter necessidade dele? E se o invés de meu obrigatório companheiro ele se tornasse meu amigo, meu parceiro de caminhada?


Aprender a conviver comigo mesmo para depois saber lidar com as fragilidades e até incapacidades ou potencialidades do outro é uma boa pedida para as relações afetivas atuais e suas exigências modernas.


Estar casado e ser só é coisa sofrida. Sim. Mas a pior solidão é aquela em que a pessoa está longe de si mesma e não consegue ser, para si, a companhia ideal.


Conhecer-se a si mesmo/a e gostar de si mesmo/a será um bom remédio para tanto ter alegria e desejo de viver quanto para atrair o parceiro para seu universo individual, que depois de vivido junto, será um lugar de novo gostoso de se viver.


Em casa, na rua, no trabalho, onde quer que se esteja a vida assim será boa, agradável.


Ser é o bastante. Faz melhor sentido o que nosso velho Quintana sinalizava: “Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.” Essa premissa, posto que sirva para nossa subjetividade, valerá também para a nossa vida com o outro.



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