quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ser professor/a


Se alguém lhe perguntasse, ela certamente afirmaria: “Quero ser professora, quando crescer”.

O sonho de ser professor/a perseguia a criança como uma profissão bela e alegre pois a professorinha/o mestre cumpria com extremo amor seu exercício de ensinar e era lindo ver aquela grande pessoa totalmente comprometida com minha aprendizagem ali, acima e ao mesmo tempo tão perto de mim, me ensinando a ver o mundo de um jeito bonito e enriquecedor.

A fantasia de que ensinar era uma experiência dos contos de fada prevalece ainda no coração de muita gente. A criança projeta no/a professor/a a imagem da/o mãe/pai perfeita/o e imagina que o alimento simbólico (que está para lá do conceito de “comida”) de que precisam será fornecido por ele/a (o professor) por toda a vida.

Há um misto de amor e ódio, presente também na relação mãe x filho projetado para a relação aluno x mestre. Isso dá um ‘caldo’ interessante e complexo. Quem é que já não foi apaixonado pelo/a professor/a? Quem não já teve por seu ‘guia’ escolar um sentimento ruim, uma certa raiva ou descontentamento?

O desejo de ser professor/a ainda é alimentado por algumas pessoas, embora em muitos casos as famílias não estimulem tanto que seus pequenos desejem o caminho da escola como profissão tendo em vista vários fatores, especialmente a questão financeira: “professor ganha pouco. Vamos sonhar com outra coisa” – dizem alguns pais.

O/a professor/a lida com questões bastante delicadas em seu exercício profissional. Uma delas é a diversidade de sua clientela: crianças alegres, tristes, curiosas, desanimadas. Até crianças agressivas. Emoções de todo tipo são vivenciadas na sala de aula e o mestre precisa lidar tanto com as emoções dos alunos, dos colegas, da direção e dos funcionários, em geral, quanto com as suas próprias emoções. Haja Inteligência Emocional para dar conta de tamanha demanda!

Dizem que o/a professor/a deveria estar preparado/a. Sendo assim, vale a pena questionar se estaria mesmo, por exemplo, o médico preparado para curar? Estaria de fato o advogado perfeitamente preparado para realmente defender? Os pais, para terem filhos? É imperativo o preparo técnico, sim. Mas e o preparo emocional? E quanto às dificuldades pessoais do mestre?

Suportar sua própria dúvida, aceitar seus limites, perceber o outro como sujeito, lidar com meu amor/desamor próprio, com meu narcisismo, com a dor do mundo, com a solidão da sala de aula (ainda que cheia de alunos), fazem da educação uma tarefa difícil e complexa. Como diria Freud: “Ensinar é uma tarefa impossível!” Lidar com tantas variáveis não é uma prova na qual facilmente se tire uma “nota dez”.

O/a professor/a convive diariamente com as fronteiras e impossibilidades de ensinar e do aprender. O eventual fracasso das estratégias, recursos e métodos escolhidos para ensinar fazem com que ele/a viva uma certa frustração laboral tão intensa que leva muitos deles/as a pedirem demissão e buscarem outra forma de sobrevivência.

Reconhecer a própria incompletude como educadores minimiza o sentimento de culpa do mestre e o ajuda a perceber a possibilidade de seguir adiante com coragem, respeito e tolerância às suas próprias limitações e às limitações do outro (seja esse outro seu aluno, colega de trabalho etc).

O confronto com o não saber sobre o outro e sobre si mesmo pode causar profundos conflitos aos mestres, mas é ao mesmo tempo uma oportunidade que ele terá para considerar que ele não é um semi-deus e que poderia lidar melhor com essa limitação se buscasse tolerância para seus próprios limites e para os limites do outro.

Se o/a professor/a disponibilizar seu coração para além de escutar, ouvir - ainda que o assunto seja conflitante - ele perceberá que pode conseguir verdadeiros adeptos ao seu caminho ou pelo menos elaborar uma melhor política de convivência em sala de aula. Além disso, se o mestre contar com uma comunidade aberta para ouví-lo e acolhê-lo em suas dificuldades, melhor ainda será sua caminhada até a escola e além dela.

Num lugar de acolhimento e escuta, onde as pessoas possam até discordar mas que se sintam respeitados, reverenciados e ouvidas, haverá sabor e cor para se iniciar e se terminar o ano letivo com alegria e disposição.

Acolhimento, talvez, seja a a melhor palavra para finalizar este texto. Definiria o que tentei expor.

Quem sabe assim tenhamos cada vez mais pessoas apaixonadas, encorajadas e comprometidads com a Educação acadêmica?

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1 Comentários:

Blogger Arctic Bell disse...

De: Flávio Roberto Sobral Delgado

Cara Leda Sampaio fico grato pelo seu comentário e desejo-lhe reciprocamente um belo e construtivo ano novo.

Pará: Leda Sampaio.

Abraços!!

12 de janeiro de 2011 às 15:29  

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